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Sars-Cov-2 - Reabertura das escolas - Mandar, ou não, os filhos?

i Tomada decisão - Índice
Tomada decisão
i Cr Transmite? - Índice
Princesa pai
Minha filha está bem adaptada ao ensino à distância. E se eu tomar a decisão errada?
Qual é o risco para uma criança se contrair o novo Coronavírus?
African American boy sneezing into elbow
preparando Jams
Moro com uma pessoa do grupo de risco, as crianças podem transmitir o Coronavírus?
Não seria mais seguro se todos os alunos e funcionários fizessem o teste de Coronavírus logo antes de retornarem as aulas presenciais?
Image by Mufid Majnun
Princesa pai
Minha filha está bem adaptada ao ensino à distância. E se eu tomar a decisão errada?

Vivemos uma situação inusitada, que nenhum nós jamais passou por algo semelhante. A última grande pandemia que o mundo havia presenciado, foi pela gripe espanhola que durou de dezembro de 1918 a janeiro de 1920.

Somente cada um de nós sabe o que passou, e tem passado, por conta da quarentena. Cada família vive sua situação particular. Algumas com mais dificuldade na organização de sua rotina nesta fase de isolamento social, outras com maior receio de contrair o novo Coronavírus, seja por ter uma criança muito pequena, alguém de mais idade ou alguém do grupo de risco em casa. Por isso, não há decisão errada neste momento, existe a melhor decisão para cada família naquele momento.

Novas informações e mudanças na situação de transmissão na comunidade ocorrem todos os dias, por isso também é importante não ter medo de mudar sua escolha conforme o panorama na sua região evolui para melhor ou para pior.

Cr Transmite?
African American boy sneezing into elbow
Qual é o risco para uma criança se contrair o novo Coronavírus?

A grande maioria das crianças será assintomática, ou terá sintomas leves a moderados (90% dos casos) segundo estatísticas levantadas na China através do estudo de 2.135 pacientes pediátricos notificados ao Center for Disease Control and Prevention (CDC) chinês segundo publicação na revista científica Pediatrics.

Já o CDC norte americano, publicou em 14 de agosto de 2020 um levantamento realizado entre 01 de março a 25 de julho de 2020 em 14 de seus estados através da COVID-NET, rede de vigilância para entre os hospitais para monitorar os casos de Sars-Cov-2 mostrando qual é o risco de internação para as crianças que contraíram o novo Coronavírus. 

Esse estudo mostrou que o risco de internação por COVID-19 em crianças menores de 18 anos foi de 8 para cada 100.000 habitantes, enquanto para os adultos foi de 164,5 para cada 100.000 habitantes. Sendo maior o risco para crianças menores de 2 anos de idade (principalmente abaixo de 3 meses de vida), e menores para aquelas com idade entre 2 e 4 anos e entre 5 e 17 anos de idade.

Dentre as crianças internadas,  1 em cada 3 precisou ficar em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), taxa semelhante aos adultos (33,2% das crianças e 33% dos adultos), mas somente 5,8% das crianças precisaram de ventilação mecânica enquanto 18,6% dos adultos utilizaram o mesmo suporte

Entre as comorbidades encontradas nas crianças internadas, as 3 mais prevalentes foram:

- obesidade em 37,8%, porém é uma doença altamente prevalente nos EUA, 1 em cada 5 crianças norte-americanas sofre com a obesidade, podendo não se observar esse perfil no Brasil;

- doenças crônicas pulmonares em 18%, dos quais 14% eram asma;

- prematuridade abaixo de 37 semanas de gestação em 15,4% das crianças menores de 2 anos de idade.

Apesar da preocupação comum entre a grande maioria dos pais com a imunidade de suas crianças, somente 5,4% das crianças internadas com COVID -19 tinham algum grau de comprometimento de seu sistema imune.

 

Nesse estudo foram avaliadas 575 crianças internadas por COVID-19 e houve somente 1 óbito de  paciente com múltiplas comorbidades.

Fonte: acessado em 20/08/2020

Epidemiology of COVID-19 Among Children in China

Yuanyuan Dong, Xi Mo, Yabin Hu, Xin Qi, Fan Jiang, Zhongyi Jiang, Shilu Tong

Pediatrics Jun 2020, 145 (6) e20200702; DOI: 10.1542/peds.2020-0702

Fonte: acessado em 20/08/2020

Kim L, Whitaker M, O’Halloran A, et al. Hospitalization Rates and Characteristics of Children Aged <18 Years Hospitalized with Laboratory-Confirmed COVID-19 — COVID-NET, 14 States, March 1–July 25, 2020. MMWR Morb Mortal Wkly Rep 2020;69:1081–1088. DOI: http://dx.doi.org/10.15585/mmwr.mm6932e3external icon

i Diagnóstico - Índice
i Complicações - Índice
preparando Jams
Moro com uma pessoa do grupo de risco, as crianças podem transmitir o Coronavírus?

Ainda há poucos estudos publicados sobre a transmissão de crianças para adultos, porém as evidências indicam que as crianças raramente transmitem o Coronavírus.


Um estudo publicado em agosto na revista Pediatrics, uma das grandes referências em pediatria, refere relata diversos outros estudos publicados em diferentes países comprovando a baixa transmissibilidade das crianças.

Um deles, realizado em Genebra, na Suíça, avaliou todas as crianças menores de 16 anos que apresentaram o RT-PCR positivo para o SARS-Cov-2 de 10 de março a 10 de abril, e observou que somente em 8% dos casos, a criança foi o caso inicial dentro do núcleo familiar.

Outro estudo citado nessa publicação, feito na França, relata o caso de um menino de 9 anos com sintomas respiratórios e exame positivo para Picornaví­rus (um vírus comum de resfriado) e SARS-Cov-2 que teve contato com 80 colegas em 3 escolas diferentes. Dentre eles, nenhum contraiu o Coronavírus apesar de diversos casos de Influenza nessas escolas.

Ainda mais marcante, foi o relato da Austrália em que 9 estudantes e 9 funcionários de 15 escolas diferentes infectados pelo novo Coronavírus tiveram contato com outros 735 estudantes e mais 128 funcionários. Dentre eles houveram somente 2 infecções secundárias, nenhuma delas em adultos; uma em 1 aluno do ensino primário e outro do ensino médio.

Fonte: acessado em 20/08/2020

COVID-19 Transmission and Children: The Child Is Not to Blame

Benjamin Lee and William V. Raszka

Pediatrics August 2020, 146 (2) e2020004879; DOI: https://doi.org/10.1542/peds.2020-004879

i Vacina - Índice
Image by Mufid Majnun
Não seria mais seguro se todos os alunos e funcionários fizessem o teste de Coronavírus logo antes de retornarem as aulas presenciais?

Os testes para o novo Coronavírus estão se aprimorando a cada dia (saiba mais sobre os testes para Coronavírus), surgindo métodos cada vez mais sensíveis, porém mesmo assim não conseguem prever se aquele indivíduo, seja adulto ou criança, foi exposto recentemente ao vírus e muito menos se irá ou não adoecer pela contaminação.

O RT-PCR, ou popularmente PCR, para o Coronavírus detecta a presença do vírus na secreção da cavidade oral e/ou nasal, locais a partir da onde ele irá se espalhar e contaminar outras pessoas, e tem maior confiabilidade quando coletado entre o 3º e o 5º dia do inicio dos sintomas, mas e quando estamos falando da testagem de assintomáticos? Como saber se não estamos realizando o exame logo antes desse período de melhor detecção para o exame?

Um fato que ilustra bem o quanto o testar assintomáticos não traz garantias de segurança é o caso do surto de Coronavírus que ocorreu dentro do navio Diamond Princess. No dia 1º de fevereiro um passageiro de 80 anos, que havia desembarcado do navio dia 25 de janeiro em Hong Kong, foi diagnosticado com COVID-19, ele estava apresentando tosse desde o dia 23 de janeiro. Então o navio foi colocado em quarentena no porto de Yokohama no Japão, destino imediatamente subsequente ao porto de Hong Kong e todos os 3600 passageiros e toda a tripulação (111 membros) foram submetidos ao RT-PCR para o Coronavírus entre os dias 3 e 4 de fevereiro. 

Entre os 3711 indivíduos testados, no momento do exame, 31 apresentavam sintomas, mas somente 10 deles tiveram teste positivo enquanto outros 410 estavam assintomáticos apesar do resultado positivo para o Coronavírus. Dos 410 indivíduos assintomáticos, 79 apresentaram sintomas nos dias subsequentes. Outras 32 pessoas que dividiam a cabine com os 31 indivíduos sintomáticos com teste positivo foram mantidas em observação e, após 72h, 8 dessas 32 pessoas positivaram o exame para o Coronavírus.

Foi observado que a quantidade de novos testes positivos foram diminuindo com o passar dos dias após o início da quarentena, porém até 9 dias depois do primeiro teste ainda surgiram outros indivíduos positivos mesmo que assintomáticos. Levantam a ressalva de que, por estarem em um navio, a tripulação precisou continuar circulando para realizar as funções mínimas para o atendimento dos passageiros e manutenção do próprio navio.

 

Se dentro de uma população limitada (tripulantes e passageiros),  indivíduos inicialmente negativos tornaram-se positivos até 9 dias depois com a circulação limitada e restritos às suas cabines, imaginem fora do navio com o comércio e a circulação das pessoas retornando gradualmente, não há garantia de proteção por ter um teste negativo 3 dias antes. Principalmente porque pode ter se exposto nos dias subsequentes.

Fonte: acessado em 04/10/2020

CORRESPONDENCE

Natural History of Asymptomatic SARS-CoV-2 Infection

August 27, 2020
N Engl J Med 2020; 383:885-886
DOI: 10.1056/NEJMc2013020

National Institute os Infectious disease

PUBLISHED: 19 FEBRUARY 2020

Field Briefing: Diamond Princess COVID-19 Cases

https://www.niid.go.jp/niid/en/2019-ncov-e/9407-covid-dp-fe-01.html

Aviso Legal As informações contidas aqui nos textos e vídeos não pretendem substituir a consulta com um profissional médico ou servir como recomendação para qualquer plano de tratamento. Em caso de dúvidas procure seu médico.

© 2023

Dra Marcia Toraiwa Iwashita

CRM-SP 120.319 

Especialista em Alergia e Imunologia

RQE 54057

Pediatra

RQE 54058

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